Gestão do Conhecimento e Inteligência Competitiva

Por: Augosto Mendes de Almeida

Gestão do Conhecimento e Inteligência Competitiva

No último congresso da Esomar, em Berlim, realizado em setembro de 1998, e na Conferência da Esomar sobre Inteligência Competitiva, realizada em Geneva em fevereiro passado, Mario van Hamersveld, executivo de desenvolvimento de marketing do Departamento de Consumer Eletronics da Royal Philips Electronics (Holanda) abordou o tema sobre inteligência de marketing de uma forma que me parece de extrema importância para todos os profissionais de pesquisa de mercado. No caso daqueles que pretendem seguir suas carreiras dentro das empresas clientes ou consumidoras de pesquisa de mercado, é simplesmente fundamental a compreensão das implicações desta nova forma de se enxergar as áreas de pesquisa e informações. No caso daqueles que pretendem seguir suas carreiras dentro das empresas clientes ou consumidoras de pesquisa de mercado, é simplesmente fundamental a compreensão das implicações desta nova forma de se enxergar as áreas de pesquisa e informações. No caso de fornecedores de pesquisa, compreender o que esta nova necessidade significa, seja em termos de atendimento, tecnologia e custos, nem se comente.
Com o aumento da competitividade do mercado brasileiro ocorrido nesta última década, seja frente a abertura ao mercado externo e melhoria do parque interno, que resultou não só no aumento de opções para o consumidor mas também em uma
postura de mercado mais agressiva do lado das empresas, ou seja, frente aos desafios e custos que uma economia cada vez mais globalizada acaba gerando, as áreas de pesquisa e informações de mercado estão evoluindo e assumindo rapidamente um novo posicionamento dentro das empresas no Brasil, seguindo o exemplo que já vem ocorrendo no EUA e Europa.
O texto escrito por Hamersveld aborda esta transformação de maneira clara e sucinta. Na prática, o que temos observado no Brasil de hoje e no estágio em que nos encontramos é uma ampliação do antigo escopo da área de pesquisa de mercado, que era vista não só como a única fonte geradora de informações de base científica, como também como sendo uma área geradora de serviço meio a parte do processo decisório da empresa, que normalmente era totalmente centralizado nas áreas de marketing, comercial e financeira. Neste novo posicionamento, a área de pesquisa, ou de informações, ou de inteligência competitiva, ou de inteligência de marketing passa a ter acesso e a utilizar de maneira mais intensa todos os dados disponíveis dentro e fora da empresa, transformando-os em informações não só para diagnosticar e responder rapidamente as necessidades de negócio da empresa, mas também para participar em conjunto e de maneira ativa do processo decisório desta. Como implicações mais concretas, já temos presenciado no Brasil uma mudança no perfil do profissional, sendo mais valorizado aqueles que possuem uma experiência que não se limita a área técnica, mas também com uma sólida vivência em marketing, conhecimento de mídia e compreensão clara do negócio. Destes profissionais são solicitados agilidade, flexibilidade, alta qualidade em atendimento e planejamento, sempre com o foco orientado para o negócio.
Na área de pesquisa tradicional, se é que podemos chamá-la assim, a mudança tem sido um pouco mais lenta e atualmente tem ganhado mais espaço o planejamento a curto prazo, com o foco no extremado no business e que é montado de maneira a construir e ou manter de maneira evolutiva e contínua o conhecimento do consumidor e do negócio. Ganham espaço também os desk research, as técnicas qualitativas menos tradicionais, muitas vezes chamadas de pré-pesquisa, assim como aquelas que são associadas a modelagens estatísticas e que permitem a diminuição do risco na tomada de decisão, como é o caso de idea screening, determinação de volumes e de potencial de vendas, elasticidade de preços, composição ideal de mix etc.
O texto "Do que Estamos Falando? Um Breve Quadro de Referência", escrito por Hamersveld não esgota o assunto, apenas o inicia e aponta esta tendência. Uma boa leitura para vocês!
Marcello Allvarenga, Gerente de Informações e Controle de Marketing da Boehringer Ingelheim do Brasil e integrante do Comitê de Pesquisa da ABA e do Fórum Brasileiro de Gestão do Conhecimento e Inteligência Competitiva.


Do que estamos falando?
Um breve quadro de referência
Mario van Hamersveld
Este texto trata da evolução dos sistemas empresariais de pesquisa desde a década de cinqüenta, bem como do desenvolvimento da inteligência competitiva (coletânea das informações sobre os concorrentes) nas últimas décadas. O objetivo é oferecer algumas referências básicas com relação às definições pragmáticas e as principais características das formas de trabalho atuais e futuras.

Introdução: O campo de batalha
As atividades que promovem conhecimento e compreensão do que acontece na sociedade e nos negócios se desenvolvem com o passar do tempo. O campo de ação, nomenclaturas usadas e as formas de trabalho estão indubitavelmente relacionados às fases da atividade macroeconômica e aos respectivos desenvolvimentos empresariais e de marketing.
Conhecimento, entendimento e previsão tornaram-se fatores de máxima importância na criação de valor. Conseqüentemente, surgem disputas cada vez mais ferozes sobre a capacidade de gerar esse conhecimento.
Por um lado, o conhecimento tornou-se uma arma poderosa nos negócios e para a concorrência. Por outro lado, é também um produto e/ou serviço e, como em qualquer outro lugar, as forças agressivas da demanda e do fornecimento impelem o mercado ao conhecimento.
Nos últimos anos, foi introduzida uma grande quantidade de noções para designar as diferentes atividades e disciplinas. Aquelas relacionadas ao valor agregado variam também. E, como estamos lidando com um assunto multifacetado, surge aqui um complexo campo de batalha.
A ênfase desta breve introdução está na evolução dos sistemas empresariais de pesquisa desde a década de cinqüenta, bem como o desenvolvimento da inteligência competitiva (coletânea das informações sobre os concorrentes) nas últimas décadas. O objetivo é oferecer algumas referências básicas com relação às definições pragmáticas e as principais características das formas de trabalho atuais e futuras.
O Sistema Empresarial De Pesquisa
O entendimento e aplicação da pesquisa no mundo ocidental sofreram mudanças profundas. Em muitas organizações, o conceito de pesquisa era inicialmente tido como a preparação de estatísticas de mercado, pesquisa de mercado ou análise de mercado. Mais tarde, foram introduzidas definições mais abrangentes. Há um pouco mais de uma década, a AMA - Associação Americana de Marketing definia a pesquisa de marketing como:
"a busca sistemática e objetiva e a análise da informação pertinente à identificação e solução de qualquer problema na área de marketing".
Nos últimos anos, as tendências para o suporte total de decisão tornaram-se visíveis. Em muitas organizações, já foi introduzida a noção de inteligência de mercado.
Pode-se definir inteligência de mercado como o processo de fornecer à administração os fatos, as informações e a compreensão necessária para tomar as melhores e mais eficientes decisões de negócios rapidamente (Nauckhoff, 1998).
Normalmente, no âmbito da inteligência de mercado, a ênfase é colocada em cinco principais campos de atenção:


· informação sobre o contexto no qual a organização opera;
· consumidores;
· clientes;
· concorrência;
· informação dentro da própria empresa.


Os departamentos de pesquisa de mercado desempenham um papel-chave nesta atividade. Contudo, uma excelente cooperação com outros departamentos da organização é um pré-requisito vital, como o é a disseminação adequada das informações com a ajuda de sistemas modernos de distribuição (Schroiff, 1998).
Da perspectiva do usuário de pesquisa, pode-se usar uma tipologia simples para resumir as características mais preponderantes do desenvolvimento de negócios/marketing, conceitos de marketing, escopo das atividades e ênfase na metodologia durante as últimas décadas (veja o gráfico 1 atualizado de van Hammersveld e van der Herberg, 1994).
É certo, também, que a natureza, o conteúdo e o escopo das atividades de pesquisa tendem a variar de acordo com o setor específico no qual operam.


Inteligência competitiva
A era da inteligência competitiva - como parte do processo de planejamento nas organizações - começou no início da década de oitenta. A propósito, isso não significa que a análise competitiva não existia antes dessa data.
Pode-se afirmar que, por exemplo, o ciclo de vida de produto – bastante popular nos anos setenta – foi um dos primeiros conceitos de como estudar a concorrência mais cuidadosamente. Ao se observar o ciclo de vida completo de um produto e as várias fases de desenvolvimento, o modelo poderia ser usado para explicar e antever o comportamento dos concorrentes.
Um dos principais motivos para a rápida decolagem da inteligência competitiva, especialmente nos Estados Unidos e Europa, foi a pressão competitiva crescente da Ásia. A estagnação do mercado e crescimento decrescente também desempenharam aqui seu papel.
Como resultado, a atenção dos executivos mudou de se obter uma parte do crescimento para conseguir um pedaço do bolo. Acadêmicos, incluindo Michael Porter, forneceram aos profissionais as ferramentas e estrutura analítica necessárias.
Pode-se definir inteligência competitiva como o processo sistemático para a compilação e disseminação de informação competitiva relevante. O enfoque está em analisar uma organização concorrente, seus produtos, preços, desempenho financeiro, tecnologia e estratégia (Stanat, 1998).
No início da inteligência competitiva como uma disciplina de pesquisa, a compilação de dados (principalmente de fontes secundárias) era a principal atividade. Gradualmente, a preparação dos perfis competitivos, o acompanhamento de sistemas, benchmarking e a previsão das ações competitivas tornaram-se áreas importantes de responsabilidade nas formas características de trabalho.
As aplicações se ampliaram, como foi o caso dos sistemas empresariais de pesquisa. A demanda por inteligência competitiva veio inicialmente do mundo do comércio e da indústria, embora as organizações de serviço (bancos, seguradoras, telecomunicações etc.) também estejam utilizando-a cada vez mais.
Todos os tipos de métodos – qualitativos como também quantitativos – são utilizados. Nas operações diárias, o rótulo "inteligência competitiva" algumas vezes é usado no mesmo sentido amplo de "inteligência de mercado"; na realidade, se sobrepõem totalmente.
Às vezes, a inteligência competitiva é até mesmo usada como "uma mensuração da capacidade da empresa para entender a arena competitiva e fazer frente aos novos desenvolvimentos competitivos". Em resumo, "é a capacidade de competir" (Gilad, 1998).
Nesta interpretação, a inteligência competitiva não é mais uma disciplina de pesquisa; é a competência empresarial-chave. Por razões pragmáticas, e para criar transparência, preferimos usar inteligência competitiva como uma fonte poderosa de atenção dentro da inteligência de mercado, ou seja, é a disciplina de pesquisa que ressalta a informação competitiva relevante. Da mesma maneira, ela ajuda a distinguir as informações pertinentes ao consumidor, ao cliente, à empresa etc.
Observações Quanto À Posição Da Pesquisa De Mercado, Inteligência De Mercado E Inteligência Competitiva
Devido à rápida evolução das atividades de pesquisa e à obscuridade contínua das linhas entre as subatividades ou disciplinas diferentes, não é fácil descrever a posição da pesquisa de mercado, da inteligência competitiva e da inteligência de mercado no contexto empresarial internacional de uma maneira precisa. E, conforme já mencionado, a concorrência feroz entre fornecedores de pesquisa e/ou serviços de informações tende a obscurecer ainda mais nossa visão, especialmente por causa da falta de definições sólidas e pertinentes de produtos e/ou serviços e sua qualidade.
Entretanto, se nos restringirmos à pesquisa de marketing e inteligência competitiva como parte da inteligência de mercado, conforme definida em termos gerais, as seguintes observações provêem mais referenciais:
Mercado Mundial
A movimentação do mercado mundial por pesquisa de mercado é muito bem documentada. Da mesma forma, as divisões por região com relação a categoria de pesquisa com o passar do tempo estão facilmente disponíveis. Quanto ao mercado para inteligência competitiva, parece que as séries cronológicas sólidas e seguras para esta disciplina relativamente jovem não estão ainda disponíveis.
Pesquisa de Marketing e Inteligência Competitiva nas Organizações
No que tange à posição da pesquisa de mercado e da inteligência competitiva nas organizações, pode-se observar uma multiplicidade de soluções funcionais, dependendo do âmbito transnacional da organização, seu tamanho e portfólio de produto, ambiente competitivo e pesquisa e/ou tradição da coletânea de informações em tais empresas.
Como conseqüência, as atividades de pesquisa de marketing ou de inteligência competitiva poderiam estar se reportando centralmente à administração executiva ou sendo realizadas em uma organização mais descentralizada.
Algumas vezes, as atividades estão integradas sob o guarda-chuva da "inteligência de mercado" ou "inteligência empresarial", às vezes também, os principais serviços são terceirizados.
Cada vez mais, a faceta de fornecimento da inteligência competitiva se desenvolve fortemente, como foi o caso da pesquisa de marketing nas últimas décadas.
Internacionalização, consolidação e especialização são princípios-chave estruturando os processos habituais da divisão de trabalho.
Diferenças comparativas entre Pesquisa de Marketing e Inteligência Competitiva
Com relação às diferenças comparativas entre pesquisa de marketing e inteligência competitiva, é interessante salientar as origens diferentes de ambas categorias de análise. A pesquisa de marketing se desenvolve principalmente à partir dos principais conceitos de estatística e ciência social. Com o passar do tempo, foi-se desenvolvendo uma base de experiência rica e impressionante no que concerne ao projeto de pesquisa, processos e aplicações (McDonald e Vangelder, 1998).
Os principais blocos de construção da inteligência competitiva derivam da pesquisa de marketing também. Contudo, o enfoque tende a estar nas fontes secundárias e aplicação de ferramentas analíticas mais genéricas tais como:


· estudo da informação disponível;
· realização de "entrevistas técnicas"; e
· integração da informação com informação de outras fontes (mídia, publicações etc.).


Isto parece ser característico das formas de trabalho.
Recentemente, Stanat (1998) resumiu algumas diferenças entre pesquisa de mercado e inteligência competitiva.
O Gráfico 2 tem o propósito de refletir sobre as formas características de trabalho. Pode-se acrescentar que na pesquisa de mercado, a privacidade dos entrevistados é um pré-requisito chave. Os dados são usados em bases agregadas, respeitando-se o anonimato. Na pesquisa de mercado também, a pesquisa qualitativa é uma disciplina muito forte. Além disso, em muitos casos, os formatos de relatórios na pesquisa de mercado incluem bancos de dados, newsletters etc.
Profissionalismo na Pesquisa de Marketing e na Inteligência Competitiva
Ao se examinar a posição correspondente das duas disciplinas, deve-se levar em conta o grau de profissionalismo. Os organismos profissionais foram criados para a pesquisa de opinião e de marketing especialmente desde o final da década de quarenta, operando em níveis locais como também internacionais (isto é, WAPOR, ESOMAR, ARF, MRS, etc.). Códigos de conduta e diretrizes foram vitais para estabelecer o comportamento dos membros. Foram criados procedimentos disciplinares e encontram-se à disposição mecanismos arbitrários.
Apenas recentemente a inteligência competitiva tornou-se uma "profissão" quando, em 1986, foi criada a Associação de Profissionais de Inteligência Competitiva (SCIP - Society of Competitive Intelligence Professionals).
"A palavra inteligência pode evocar a idéia de intriga e espionagem", conforme indicou Nauckhoff, e "obviamente, não estamos nos referindo a qualquer atividade ilegal ou contrária a ética aqui". Porém, na prática do dia-a-dia, a SCIP tende a ser forçada a depositar grande energia em "navegar pela zona cinzenta legal/ética".
Como o comportamento legal e ético é de importância vital à disciplina, os membros da SCIP têm a obrigação de cumprir com o código de ética. As disposições são as seguintes:


· empenhar-se continuamente para aumentar o respeito e reconhecimento da profissão;
· cumprir suas tarefas com zelo e diligência, enquanto mantendo o mais alto grau de profissionalismo e evitando qualquer prática contrária à ética;
· apoiar e cumprir fielmente com a política da empresa, seus objetivos e diretrizes;
· obedecer todas as leis aplicáveis;
· revelar com precisão toda informação pertinente, incluindo sua própria identidade e organização, antes de qualquer entrevista;
· respeitar prontamente todos os pedidos para confidencialidade de informação;
· promover e encorajar o cumprimento total desses padrões éticos dentro da própria empresa, com terceiros contratados e dentro da profissão inteira.


Um grande desafio, naturalmente, é desenvolver padrões comportamentais para conduzir e controlar a adesão a este código (incluindo a identificação de casos, procedimentos disciplinares etc.). É notório que a pesquisa de marketing como também, por exemplo, o setor de anunciantes (isto é, a WFA) tenha, no decorrer dos anos, feito mais progresso que a inteligência competitiva – como uma nova disciplina – ao elaborar a auto-regulamentação.
Ao final do dia, os benefícios da auto-regulamentação são claros. A auto-regulamentação garante o controle efetivo da disciplina ou "indústria". Ela o torna aberto e acessível e ajuda a responder as mudanças do mercado e/ou do consumidor. Exige honestidade através da justificação. Deve ser conduzida por especialistas, e ajudará a criar mais valor para a demanda e fornecimento na categoria de mercado.
Apoio à Decisão de Negócios
Não é preciso dizer que o apoio adequado à decisão de negócios será baseado na compilação de dados, know-how e experiência, bem como no conhecimento e intuição. Requer experiência cumulativa e capacidade para memorizá-la a fim de aprender e progredir. E isso envolve atualização e revigoramento contínuos.
Em nosso ponto-de-vista, o valor agregado da pesquisa de marketing e da inteligência competitiva – queremos dizer com isso, valor genuíno, real – será mais alto se o projeto das atividades pertinentes estiver baseado nas seguintes quatro qualidades:


· sistemático;
· contínuo (requer visão de longo prazo);
· objetivo;
· independente.


A questão é se nossa abordagem (sua abordagem?) pode resistir a um teste pungente com relação a essas qualidades.


A perspectiva futura
Qual o caminho à frente? Depois de ter apresentado algumas informações e observações direcionadas sobre as características, este breve quadro de referência pode ser concluído com uma seleção dos principais assuntos e desafios parcialmente correlacionados ao futuro próximo. Mais uma vez, a ênfase será a pesquisa de marketing e a inteligência competitiva.
A. Por causa das forças da globalização, da tecnologia da informação e da comunicação, o "sistema empresarial de pesquisa" continuará a passar por muitas mudanças rápidas. Independência de tempo e lugar são aspectos-chave, descrevendo formas de trabalho, como também a pressão de tempo e enfoque na velocidade. Ainda não está claro qual será o impacto no desempenho das diferentes disciplinas. Elas conseguirão, no caso de separação física, garantir alta qualidade e uma contribuição profissional significativa em todos os casos? Devemos nos preparar para enfrentar uma falta de entendimento real, equívocos, manipulação e às vezes até mesmo uma realidade distorcida por causa da forte pressão competitiva global promovida pela tecnologia da informação e da comunicação? (van Hamersveld, 1998).
B. Até onde a pesquisa de marketing e a inteligência competitiva conseguirão prover um entendimento genuíno na esfera da dinâmica empresarial específica e dinâmica competitiva? Prover simplesmente dados, informações, know-how e experiência obviamente não será suficiente. Serão requeridas previsões e predições plausíveis, não apenas do que se espera acontecer nos negócios, mas também relacionado ao que poderia acontecer em termos de regras do jogo e padrões competitivos de desempenho.
C. Neste aspecto, vale a pena se concentrar atentamente na administração. De fato, é possível que o enfoque empresarial mude num futuro próximo. Ultimamente, a concorrência tem sido considerada como um grande motivador de inovação em muitos mercados, associado a procedimentos de desenvolvimento estratégico mais ortodoxos. Poder-se-ia redescobrir um outro caminho estimulador de crescimento se a ênfase fosse colocada em outro motivador de inovação e colocando-se as soluções de satisfação do consumidor primeiro (produtos, serviços, entrega). Como conseqüência, poderia-se mudar novamente o enfoque no escopo e conteúdo de várias disciplinas de pesquisa.
D. O desenvolvimento posterior de códigos de conduta, diretrizes éticas e (em outros termos) a qualidade da auto-regulamentação e desempenho real determinará qual das disciplinas esboçadas realmente criarão uma "vantagem competitiva duradoura e sustentável". Critérios clássicos tais como representação, confiabilidade e validade desempenharão papéis-chave. A importância do apoio à decisão, a qualidade objetiva da interpretação e os padrões de comparação relacionados à verificação deverão ser aplicados.
E. Prever os padrões de gestão de conhecimento e aderir aos princípios resultantes serão essenciais ao sucesso das diferentes categorias da atividade. Fazer a pesquisa e/ou inteligência realmente trabalharem facilmente, e implementar sua execução operacional, são desafios consideráveis. Serão necessárias abordagens pragmáticas específicas, por negócio e por organização.
O conhecimento, o apoio de decisão ou qualquer outra conotação que se escolha, farão a diferença.
Mas, como criamos a função relacionada em nossa organização? Que tipo de sistema de radar ou antena de que precisamos? Qual pesquisa e/ou fornecedores de inteligência vamos usar? Quais sistemas são necessários para processar a informação relacionada?
Essas são apenas algumas das questões que devem ser respondidas no processo de planejamento, compilação, análise e disseminação da informação de pesquisa e/ou inteligência.
A pesquisa de marketing e inteligência competitiva bem-organizadas podem ajudar a moldar o futuro da sociedade e dos negócios.
O que realmente acontecerá? Estamos no início de outra fase empolgante de desenvolvimento.
Bibliografia
Gilad. (1998) Competitive Intelligence Magazine, 1,1.
McDonald, C. and Vangelder. P. (Eds.). (1998) Manual de Pesquisa de Opinião e de Mercado da ESOMAR (Handbook of Market and Opinion Research), 4a Edição.
Nauckhoff. F. (1998). "Market Intelligence." In McDonald. C. Vangelder. P. (Eds.) Manual de Pesquisa de Opinião e de Mercado da ESOMAR (Handbook of Market and Opinion Research), 4a Edição.
Schroiff. H.W (1998). "Creating Competitive Intelligence Capital: The Henkel Case". Anais do Congresso da ESOMAR em Berlin.
Stanat. R. (1998). "The Relationship between Market Research and Competitive Intelligence". Anais do Congresso da ESOMAR em Berlin.
van Hamersveld, M. and van der Herberg, B. (1994). "The Value of Research: Usual Business and Unusal Approaches. Anais do Congresso da ESOMAR em Davos, Suíça.
van Hamersveld, M. (1998). "Knowledge Management". Apresentação no Congresso da ESOMAR em Berlin.

Autor
Mario van Hamersveld é Gerente de Desenvolvimento de Marketing do Departamento de Consumer Electronics da Royal Philips Electronics, na Holanda.

Gráfico 1
Âmbito Dos Sistemas De Pesquisa
1960 a 1970 a 1980 a 1990 a 2000 a
Ambiente * Crescimento * Estabilização * Estagnação * Turbulência *Crescimento
Empresarial * Vendedores * Vendedores/ * Grandes * Crescimento
Compradores Disputas Baixo/Nulo
* Compradores

Conceitos * Vendas * Ciclo de Vida * Posicionamento * Globalização * Solução
de Marketing * 4Ps * Segmentação * Análise da * Aplicação de Valor ao
Concorrência do ICT Consumidor
* Cadeia de Valor * Marketing * e-commerce
Agregado Integrado um-a-um
* Cliente/ * Networking
Canal/ Concorrência
Escopo das * Análise de * Pesquisa de * Consultoria * Inteligência * Inteligência
Atividades Mercado Marketing de Pesquisa de de Mercado Integral
* Mercado Local * Multi-doméstico Mercado * Global de Negócios
* Instrumento * Multi- * Internacional * Suporte à * Dinâmica
Único instrumentos * Negócios Decisão de Mercado
* Curto Prazo * Médio Prazo Integrais * Tático/ e Concorrência
* Consumidor * Consumidor * Curto/Médio Estratégico Prazo
* Consumidor/Varejo
Ênfase * Previsão * Modelos * Implementação * Gestão da * Gestão do
Metodológica (Séries * MDS * Padronização da Informação Conhecimento
Cronológicas) * Inovação * Intercâmbio de * Definição * Interpretação/
* Técnicas de Expertise Informação Significado
de Testes Necessidades
* Pequenos Aplicação
Experimentos Implementação
* ICT/
Networking

Gráfico 2
Diferença Comparativa Entre Pesquisa De Mercado
E Inteligência Competitiva
Pesquisa de Mercado Inteligência Competitiva
Objetivo da Pesquisa * Revelada ao entrevistado * Normalmente não revelada ao entrevistado
Metodologia * A pesquisa secundária não * A pesquisa secundária é um pré-requisito
é uma condição prévia
* É estruturada, * É investigativa, predominantemente qualitativa,
predominantemente quantitativa coloquial
* Informação concreta e de atitude * Esquadrinha a informação sensorial
* Análise derivada de dados * Precisa "reunir as peças de informação", para
da pesquisa análise, benchmarking e monitoramento contínuo
* Formato: geralmente relatórios * Formato: relatórios, newsletters, databases,
e-mail, amostras de produto
Habilidades * Estruturada, quantitativa, * Investigação, planejamento estratégico,
qualitativa organização governamental
Preço * Custo por entrevista; por grupo; * Base de "Melhor Esforço"
por análise


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