A Revista SBPM está em clima de eleições.
Assim, traz aqui diversos temas relacionados a política
nos textos de profissionais como Fatima Pacheco Jordão,
diretora da FPJ, Orjan Olsen, consultor de opinião pública,
Rubens Figueiredo, cientista social e diretor do CEPAC e Mônica
Machado, professora de pesquisa de mercado na UERJ-RJ. Além
disso, você vai ficar saben do um pouco do que aconteceu
no debate promovido die 30 de março na SBPM entre especialistas
em pesquisa e marketing político.
O assunto central
dessa mesa redonda era pesquisa político- eleitoral nas
eleições 98, mas, quando se trata de política,
e dificil se restringir apenas a um tema, como no cave a pesquisa,
sem acabar debatendo um pouco outras questões do cenário
político.
O debate foi
moderado por Rubens Figueiredo, teve a participação
de Fátima Pacheco Jordão, Orjan Olsen, Ricardo
Ribeiro (economista e analista político da MCM), Marcus
Figueiredo (consultor de marketing político e professor
de Ciências Políticas do IUPERJ), Márcia
Cavallari Nunes (diretora de opinião publica do IBOPE)
e Eneida Nogueira e Silva e Mauro Paulino (ambos do Datafolha).
Marketing Político
Rubens Figueiredo
falou um pouco de marketing político no debate, sue especialidade.
Porém, e no seu texto "Marketing Político:
Duas Visões" publicado nesse número, que
pode-se encontrar mais esclarecimentos a respeito do tema, tão
em voga hoje em dia.
Alem de muito
comentado, o marketing político é muitas vezes
"endeusado" pela mídia, como se possuísse
um poder maior do que efetivamente tem pare alterar resultados.
Na opinião de Rubens Figueiredo, essa tal "força"
do marketing, "não é bem assim", tanto
e que pode-se contar nos dedos as vezes em que houve uma grande
"virada" nos resultados de uma votação
que pudesse ser atribuída a uma "sacada" genial
de algum profissional de marketing.
Rubens esclarece
uma confusão reducionista feita pela maior parte das
pessoas: marketing político não é apenas
propaganda. Ele é sim, um trabalho muito mais complexo
e amplo, do qual a propaganda é a ultima fase. Da até
uma definição: "um conjunto de procedimentos
e técnicas cujo objetivo é avaliar, através
de pesquisas qualitativas e quantitativas, os humores do eleitorado
pare, a partir daí, encontrar o melhor caminho pare que
o candidato atinja a melhor votação possivel."
Nesse processo
de elaboração de estrategias, lembra a importância
da análise e da sintonia com as pesquisas, fundamentais
pare um bom planejamento. Mônica Machado também
fala da importância central das sondagens de opinião
pare o marketing político no seu texto, visto que o objetivo
da atividade e adequar discursos e ações dos candidatos
aos anseios da população. Ela traz aqui um pouco
do que fez esse tipo de marketing que tem como "produto",
o discurso/plataforma dos candidatos. Passando assim, pelas
diversas fases do trabalho dos "marketeiros".
Segundo ela,
esta atividade vem mudando a linguagem e o perfil da política,
contribuindo pare que a dispute seja mais e mais uma disputa
comercial, e assim, "a política despolitiza".
E nesse novo cenário que ela aponta um lugar destacado
para os Institutos de Pesquisa de Opinião no desvendamento
do comportamento eleitoral dando racionalidade a disputa, previsibilidade
e antecipação de resultados.
Surpresas
Fátima
Pacheco inicia seu diálogo com o leitor atribuindo às
pesquisas de opinião a função de evitar
surpresas do eleitorado. Políticos, candidatos e especialistas
de marketing político empenhamse na descoberta do que
vai na cabeça do povo a qualquer custo, para não
se surpreenderem jamais.
Porém,
na sua opinião, essa surpresa vem ocorrendo nas elites
brasileiras frente a varias reações da sociedade.
Fátima refere-se a adesão da sociedade em peso
a novas situações como Códigos de Defesa
do Consumidor e de Transito, rodízio de carros, enfim,
medidas em favor da cidadania que devem seu sucesso ao apoio
da população.
Ela defende
que "a sociedade está mais preparada do que as elites
imaginam para a formalização de padrões
de convivência e civilidade", e mais ainda, que "as
elites tendem a não perceber a prontidão da população
pare a cidadania". Daí que isso se reflete também
na busca e captação da informação
pelas camadas de renda mais baixa.
Há uma
dissintonia que nasce do desconhecimento das elites da real
consciência e desejo de cidadania das pessoas de classe
mais baixa, que sao maioria no nosso pais. Segundo Fátima,
e dessa falta de sintonia, dessa subestimação
que pode nascer a surpresa nas urnas.
Estabilidade
Surpresas à
parte, no debate promovido pela SBPM, a reeleição
de Fernando Henrique ficou como uma quase certeza pare os profissionais
presentes. Só mesmo uma grande "surpresa",
algo inesperado, poderia, segundo eles, mudar a configuração
atual apontada pelas pesquisas.
Ricardo Ribeiro
falou de certo indice de decepção do povo com
o governo atual quanto às áreas da saúde,
educação e principalmente a insatisfação
com os níveis alarmantes de desemprego.
Sugerindo que,
apesar dessas desilusões, FHC com seu trunfo da estabilidade
econômica, ainda e favorito, com grandes chances de vitoria.
Marcus Figueiredo
analisou a história recente da política brasileira
para justificar o decisivo desejo de estabilidade que envolve
a nação, principal motivo da liderança
de FHC. Para ele, o momento de eleição e resultado
de um processo maior, político, social, comunicativo
e de formação de opinião já há
muito tempo em andamento. Seria como se todo esse clima de opinão
fosse sintetizado nas urnas.
Na opinião
de Figueiredo, a estabilidade e um desejo estrutural, enquanto
que as insatisfações com saúde, desemprego,
segurança e educação são focos de
problemas conjunturais que ainda não chegam a superar
o desejo, cuja possibilidade de realização e conferida
a FHC.
De acordo com
o que foi dito pelos outros debatedores, Eneida Nogueira afirmou
que "a estabilidade econômica e a produção
de resultados do presidente Fernando Henrique e é isso
o que a população espera". Para ela, esta
é uma questão racional mas quando analisa-se nas
pesquisas do Datafolha razões para as quedas na avaliação
de FHC, pesam mais as questões que envolvem o emocional
das pessoas.
Orjan Olsen
citou no debate uma pesquisa da Vox Populi que investigou o
perfil dos candidatos e as caracteristicas mais aspiradas pela
população em um político. Aqui, na Revista
SBPM, ele nos fornece uma análise explicativa mais detalhada
a respeito dessa pesquisa. No seu texto, coloca que os resultados
não mostraram uma onda de desejo de mudança como
pôde-se verificar na campanha de 1989. Embora haja essas
insatisfações tambem citadas pelos outros, nada
se aproxima ao desejo de ruptura que pairava no ar em 89 com
a liderança da disputa nas mãos de três
candidatos externos ao circulo de poder: Collor, Lula e Brizola.
Na pesquisa
da Vox Populi, analisou-se o que os eleitores pensam da capacidade
e empenho dos candidatos em resolver problemas de diversas áreas
públicas, bem como as áreas prioritarias na opinião
do eleitorado. Analisou-se tambem, os principais atributos dos
políticos e quais aqueles mais importantes para os entrevistados.
Orjan Olsen
observou que o cidadão comum não tem tempo de
fazer grandes pesquisas para conhecer cada candidato profundamente.
Cada um constrói uma imagem fixa difícil de ser
quebrada, um estereotipo de cada político e é
com esse que se relacionam na hora de votar, ou seja, com a
imagem, os "resumos" do que e cada político
para eles.
Nesse processo
de formação de imagem, a mídia e protagonista
por excelência, exercendo, como disse Olsen, uma influência
decisiva sobre os cidadãos. A imprensa pode não
dizer "o quê" se falar sobre os assuntos, mas
ela determina "em qual" assunto falar. Ela estabelece
o foco de discussão, diz a população qual
tema e mais ou menos relevante.
Fatima Pacheco
Jordão, no debate, falou da velocidade acelerada dos
procedimentos mídiaticos e dos recursos avançados
que permitiram uma agilidade incrível no manuseio de
informações. Juntamente a esse processo, identificou
a tendência a segmentação de público,
verificavel em todos os veículos de comunicação.
Segundo ela, são fenômenos que contribuem significativamente
para uma mudança no relacionamento entre mídia
e sociedade, aproximando-as. Alem disso, o poder da mídia
e mais e mais declarado e reconhecido de forma aberta e tranqüila.
O governo, como
disse Fátima, passa por uma crise da sua capacidade operativa
em todos os seus âmbitos, deixando ao povo uma imagem
de impotência. A imprensa por sua vez está mais
informada e crítica e nunca esteve tão próxima
de apontar faltas no desempenho dos governos.
Mônica
Machado, em seu texto, fala da mídia em relação
às pesquisas. Observa que a publicação
dos resultados é a responsável pela visibilidade
das pesquisas. É preciso entretanto atentar que, nessas
adaptações para a mídia, os relatórios
dos institutos ganham um novo formato. E assim, muitas vezes
os jornalistas podem dar relevância a determinados dados
de acordo com outros interesses do veículo, de ordem
empresarial ou de comprometimento político. Ressalvas
a parte, deixa claro que "fazer política nos tempos
modernos pressupõe a participação dos Institutos
de Pesquisa de Mercado e Opinião".
Como pode-se
perceber, são vários os temas trazidos aqui. As
abordagens, as mais diversas. A REVISTA SBPM convida você
a dar um passeio no terreno da política, olhando o que
fica por trás daquilo que se vê e ouve na grande
imprensa todos os dias. E um convite a "pensar" um
pouco em política com quem é especialista em fazer
isto sempre.